Mergulhei sem censura no teu corpo, Na ingenuidade de ser apenas um momento. Mas perdi a noção e a nitidez, Olhei para o interior dos teus olhos, Sem imaginar sentir tamanha avidez! E no teu abraço me perdi... E no teu beijo morri... E na tua alma escondi a minha... E no teu corpo quente me corrompi!
Entreguei-te o meu desejo, E perdi a noção e a consciência. Do precipício atirei-me sem medo, E caí... Levantei-me e atrás de ti corri. E caí... E cairei enquanto me permitires, As vezes necessárias até que me peças E me despeças do meu papel indefinido. Dos teus sentimentos indefinidos. Dos teus intensos beijos sentidos. Dos teus abraços fortes proibidos.
Perdi-me em ti com a inocência da primeira vez, Entreguei-me sem amarras, discernimento ou lucidez. Perdi-me de mim, dos meus princípios, da moral, Despi-me dos preconceitos, dos julgamentos. Escolhi o irracional. Vesti-me de emoções, de alegria, de satisfação. E o momento que seria só um momento, um momento só não foi, E eu que te daria apenas o meu corpo, Dei-te o meu coração que por tanto te querer, dói!
Sobressais o pior de mim: A minha raiva mais vincada, A minha lágrima mais salgada, O meu olhar mais solitário, O meu lábio mais carregado. Até que me sorris... E aí tudo passa, E tudo se desvanece, E todo o meu corpo estremece.
Fazes sobressair a minha amargura, E enches-me de solidão, E amarfanhas a minha alma. Emburreces o meu coração! Até que me olhas com a tua ternura... E aí tudo se transforma, E o meu coração aquece, E de amor e palpitações se preenche. E o discernimento se disforma!
Empobreces-me a coerência, Embruteces-me os modos, Devolves-me sem perceber a inocência, Que me faz cair sem perceber nos teus engodos Dando-me vontade de te abandonar. Até que dizes "fazes-me falta", E os teus olhos brilham em busca dos meus, E meu coração rejuvenesce, E afasta a vontade de te dizer adeus!
Poderia morrer nos teus braços que morreria feliz. Mesmo que teu beijo não me reanimasse, Nem teu abraço me suportasse. Poderia morrer nos teus braços que morreria feliz!
Só não posso morrer nos teus olhos, nem no teu beijo, Não suportaria ver o desencanto, ou fraco desejo, Não aguentaria seguir a teu lado e tão distante, Não aguentaria seguir e não te ter, doravante!
Poderia calar para sempre minha voz que a calava feliz, Se isso significasse para sempre estar em teus olhos, Mesmo que mais não te segredasse ao ouvido o meu desejo. Poderia calar para sempre minha voz que a calava feliz.
Só não posso deixar de te ouvir ou sentir, Não suportaria sentir a tua ausência, ou o teu desprezo, Não aguentaria seguir a teu lado e tão distante, Não aguentaria seguir sem sentir o teu olhar provocante.
Eu não quero morrer ou calar, Nem deixar de te sentir, ou deixar de te olhar, Mas como o destino não podemos combater, Preparo-me para esse dia em cada entardecer.
E parece que relembrar poesias passadas me fez sentir um bichinho que me disse palavras ao ouvido que me fizeram querer escrever qualquer coisa tonta. Pode ser um bom princípio, o início de uma nova era. Estar bem e querer escrever poesia não é normal, mas espero que seja para querer ficar. Espero que gostem.
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